Hoje tive o privilégio de assistir à apresentação do relatório STI Outlook 2025 da OCDE. É fundamental analisar os sinais de mudança e perceber como vão moldar as nossas estratégias e ecossistemas de I&I nos próximos anos.
O cenário traçado pela OCDE é claro: enfrentamos o paradoxo de ter objetivos transformacionais extremamente ambiciosos num contexto de recursos limitados, somado a uma mudança profunda na forma como a ciência é desenvolvida e protegida globalmente.
Destaco os 4 eixos centrais:
O Imperativo da Eficiência Transformadora: Teremos de ir para além da inovação incremental. As políticas públicas precisam de alavancar sinergias, reequilibrando os apoios diretos e indiretos à I&D para promover mudanças radicais e sistémicas, minimizando trade-offs entre diferentes prioridades.
Mobilizar Capital: O financiamento público isolado não será suficiente. Precisamos de instrumentos ágeis, como o blended finance, capazes de atrair investimento privado para superar falhas de mercado e canalizar capital para a convergência tecnológica e projetos de alto risco.
O Novo Paradigma da Segurança na Investigação (dos 3Ps para os 6Ps): As políticas de segurança na investigação cresceram quase dez vezes em sete anos. Contudo, o risco de uma “sobre-securitização” pode asfixiar a inovação e fragmentar a cooperação internacional. A governação evoluiu para um modelo de 6Ps: Promoção, Proteção e Projeção, que devem ser guiadas por Proporcionalidade, Precisão e desenvolvidas em estreita Parceria com a comunidade científica e empresarial.
Uma Abordagem de Ecossistema e Coordenação: A ligação entre políticas de ciência (STI) e não-STI (como a política industrial) tem de ser fortalecida através de inteligência estratégica e experimentação ágil.
Para materializar esta mudança e promover a convergência tecnológica que a economia exige, o relatório deixa-nos recomendações para a ação:
- Promover formas mais profundas de investigação interdisciplinar e apostar em talento interdisciplinar (capaz de integrar sistemas digitais, materiais e desenvolvimento de negócio).
- Usar o poder do challenge-based thinking para promover a convergência.
- Incluir de forma combinatória a análise ética, legal e social nos projetos, para dar resposta às implicações regulatórias complexas destas novas tecnologias.
- Desenvolver abordagens regulatórias ágeis baseadas em inteligência estratégica.
O sucesso nos próximos consórcios europeus vai muito além da excelência científica. Dependerá de como conseguimos aliar a atração de investimento privado, a segurança proporcional e uma verdadeira integração interdisciplinar e ética.
Relatório completo:
OECD (2025), OECD STI Outlook, https://lnkd.in/eTNM4xQr.
