Um estudo recente do The Alan Turing Institute e da LEGO Foundation aborda a utilização da IA generativa por crianças. Este é um tema central para a literacia em IA e para as decisões sobre novas ferramentas tecnológicas.
O estudo destaca que, apesar de a IA generativa já estar presente em muitos produtos e sistemas com os quais as crianças interagem (como jogos e plataformas educativas), há uma lacuna sobre os impactos potenciais destas tecnologias nas crianças. Isto é um ponto crucial, já que crianças e adolescentes têm necessidades e direitos específicos que devem ser considerados no design, desenvolvimento e implementação de novas tecnologias como no caso da IA generativa.
Um dos aspetos abordados é a importância de integrar as perspetivas das crianças nos processos de decisão. O estudo combinou métodos de investigação quantitativos e qualitativos, incluindo inquéritos a crianças, pais, encarregados de educação e professores, e workshops em escolas.
- Cerca de um quarto de crianças entre 8 e 12 anos reporta ter utilizado IA generativa, sendo o ChatGPT a ferramenta mais comum.
- As crianças utilizam a IA generativa principalmente para explorar a criatividade, procurar informação e para lazer digital.
- Existem preocupações significativas entre pais e encarregados de educação sobre o acesso a informações inapropriadas (82% de todos os pais) ou imprecisas (77% de todos os pais).
- Professores (72%) e pais (76%) partilham preocupações sobre o impacto na capacidade de pensamento crítico das crianças.
- A IA generativa pode ser uma ferramenta útil para apoiar alunos com necessidades educativas adicionais.
Este tipo de investigação é essencial para informar o desenvolvimento de formações e programas de capacitação para toda a comunidade – pais, educadores e decisores. Ao entender como as crianças interagem com estas ferramentas e quais as suas percepções, será possível criar um ambiente digital mais seguro e benéfico, promovendo a literacia em IA de forma eficaz e responsável. É fundamental que as decisões sobre o desenvolvimento e a governança da IA generativa incluam as vozes de quem será mais impactado: as crianças e cuidadores.
Principais recomendações para decisores políticos e a indústria:
- Promover a IA centrada na criança e a sua participação: Solicitando ativamente as perspetivas das crianças em processos de tomada de decisão e desenvolvendo ferramentas seguras e apropriadas à idade.
- Apoiar diversas formas de brincadeira e criatividade: Assegurando que a IA generativa complementa, e não substitui, materiais e abordagens mais táteis.
- Melhorar a literacia em IA: Incorporando o ensino sobre IA generativa nos currículos escolares e fornecendo orientação a pais e encarregados de educação sobre o uso seguro.
- Abordar o preconceito para melhorar a representação: Garantindo que as ferramentas de IA representam crianças de diversas origens, culturas e experiências.
- Assegurar acesso equitativo à IA generativa: Considerando o apoio governamental e recursos gratuitos para escolas estatais, a fim de reduzir a atual divisão digital.
- Abordar os impactos ambientais da IA generativa: Implementando relatórios transparentes sobre os custos ambientais para os utilizadores finais.
- Assegurar o uso responsável da IA generativa entre professores: Desenvolvendo recursos e formação, e considerando licenças institucionais para o acesso a ferramentas de IA.
Este é um apelo à reflexão coletiva: como vamos garantir que as futuras gerações não só compreendem a IA, mas também participam na sua construção, com bases éticas e seguras?
Relatório acessível no link.
