As tecnologias emergentes (TE) têm o potencial de transformar nossas vidas de muitas formas, sendo fundamental estar ciente dos benefícios e desafios que elas apresentam para que organizações e cidadãos possam aproveitá-las ao máximo, e em paralelo, mitigar seus riscos.
As TEs são tecnologias em rápido desenvolvimento que ainda não atingiram a sua implementação em pleno. Têm, no entanto, o potencial de transformar significativamente a sociedade, economia e o meio ambiente a longo prazo.
Em paralelo ao elevado potencial positivo para a sociedade, o seu rápido desenvolvimento a nível global apresenta alguns desafios a quem desenvolve, regula e aos seus utilizadores finais.
➡️ Questões éticas: É fundamental garantir que a tecnologia seja usada de um forma ética e responsável. Isso significa considerar os potenciais impactos dessas tecnologias na sociedade e no meio ambiente, adaptando-a de forma a proteger o utilizador final.
➡️ Segurança: As novas tecnologias deverão já garantir que são construídas tendo em conta futuros ciberataques. Estando a maioria destas tecnologias associadas a sistemas informáticos ligados em rede é fundamental considerar níveis de segurança adaptados aos dados e informação que é utilizada.
➡️ Equidade de acesso: As tecnologias emergentes têm o potencial de melhorar a qualidade de vida, algumas de forma personalizada como nunca antes conseguido, no entanto é importante que estas soluções estejam disponíveis de uma forma equitativa, garantindo que todos, independentemente da condição social, económica ou geográfica, tenham acesso a essas tecnologias.
No universo de inovações e tecnologias da área da saúde e da prestação de cuidados de saúde, podemos pensar em diversas tecnologias emergentes que irão impactar o futuro serviço e cuidados de saúde: Inteligência artificial, Blockchain, gémeos digitais, Internet das coisas, robótica, entre outras.
O futuro dos cuidados de saúde está intrinsecamente ligado ao avanço destas tecnologias, assumindo um papel crucial na transformação do setor hospitalar, impulsionando a qualidade do serviço, dinamizando o desenvolvimento sustentável da Indústria, Inovação e Infraestruturas globais na área da saúde e de apoio à investigação. Duas destas tecnologias são os gémeos digitais e o IoT.
Os gémeos digitais representam réplicas virtuais de sistemas físicos, como o corpo humano, uma clínica ou um hospital inteiro. Através de sensores e inteligência artificial, estes modelos simulam o comportamento real, permitindo:
- Planear e simular procedimentos: Com base em dados específicos do paciente, os gémeos digitais permitem a criação de ambientes virtuais para simular procedimentos clínicos – por exemplo cirurgias – otimizando o planeamento, o procedimento e reduzindo riscos.
- Capacitação dos profissionais: Os modelos virtuais oferecem um ambiente seguro e interativo para treinar médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde em procedimentos complexos, onde diferentes cenários poderão ser testados.
- Monitorização de pacientes: O uso de sensores e IoT permite monitorizar em tempo real sinais vitais e outros indicadores de saúde dos pacientes ao longo de diferentes períodos, possibilitando diagnósticos precoces e intervenções personalizadas.
- Planear a Gestão hospitalar: Através da análise de dados dos gémeos digitais, é possível otimizar a gestão de recursos, diminuir a pegada carbónica, reduzir custos e aumentar a eficiência operacional do hospital.
A Internet das coisas (ou Internet of Things – IoT) conecta dispositivos através de redes digitais, permitindo a recolha e o processamento de dados em tempo real. No contexto hospitalar, a IoT contribui para:
- Monitorização remota: A IoT permite monitorar pacientes à distância, possibilitando a identificação de problemas de saúde em tempo real e a realização de intervenções de uma forma rápida e com impacto positivo no paciente.
- Melhoria da logística hospitalar: A IoT pode ser utilizada para melhorar a logística hospitalar – através do rastreamento de medicamentos, equipamentos e outros materiais. Exemplo desta questão, será a entrega de medicamentos ou a coleta de dados realizada de uma forma automatizada, libertando os profissionais para se concentrarem em atividades mais complexas.
- Melhoria da qualidade de vida dos pacientes: A IoT pode ser utilizada para criar ambientes mais seguros e confortáveis para os pacientes, como quartos inteligentes que se adaptam às suas necessidades, tanto no ambiente hospitalar, como em sua casa onde poderá ser acompanhado através de ferramentas de telemedicina.
Tecnologias como os gémeos digitais e a Internet das Coisas (IoT), estão a revolucionar o setor da saúde e a contribuir ativamente para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS3): Saúde de Qualidade.
📈 Melhor acesso a cuidados de saúde: Estas tecnologias podem ajudar a levar cuidados de saúde de qualidade para áreas remotas e populações marginalizadas, reduzindo as disparidades no acesso à saúde.
📈 Prevenção da doença: A monitorização remota e a análise de dados podem ajudar a identificar e prevenir doenças em seus estágios iniciais, reduzindo a morbidade e mortalidade.
📈 Melhoria da qualidade de vida: O diagnóstico precoce e o tratamento personalizado podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes, aumentando a expectativa de vida e a produtividade.
📈 Redução de custos: A otimização dos recursos e a prevenção de doenças podem reduzir significativamente os custos com saúde, liberando recursos para outras áreas importantes.
As tecnologias emergentes representam uma grande oportunidade para alcançarmos os objetivos globais definidos para a área da saúde e qualidade de vida, construindo um futuro mais saudável para todos. Através da sua aplicação de uma forma inovadora, inclusiva e responsável, podemos garantir que todos tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade, independentemente da sua localização ou condição socioeconómica.
